sábado, março 15, 2008

Três anos em dois minutos...


Contra a opinião de uns e outros, o PS comemorou em comício três anos de Governo resumidos aqui em dois minutos...


Francamente, o PS deveria ter começado a comemorar a conquista do Governo com os apoiantes e militantes que lhe deram a primeira maioria da sua história logo no primeiro dia, dignificando os seus autarcas e representantes locais, mantendo uma rede de ligações regionais e locais com a sociedade civil, dialogando com os movimentos sociais e envolvendo-os nas reformas.

Tentar recuperar agora o tempo perdido pode ser um esforço inglório, mas não há como reconhecer os erros e arrepiar caminho. Porém, não há confiança que resista se se verificar que tudo não passa de manobras... pré-eleitorais!

PS - Outras visões da festa no Porto na
RTP, no Público, no Diário de Notícias, no Correio da Manhã, no Jornal de Notícias, no Portugal Diário, no Diário Digital, no Expresso, no Almocreve das Petas, no Kontratempos, no Causa Nossa, no Abrupto, no CyberDemocracia, no Tempo das Cerejas, no Palácio do Marquês... (em actualização!)

1 comentário:

RV disse...

Três anos depois

por Raul Vaz, Jornal de Negócios, 2008.03.12

É cauteloso duvidar de tudo o que subjuga a evidência. Supõe-se que Sócrates gosta de ser o que é, chefe do PS e chefe do Governo. Como qualquer um, ele conhece-se. Vamos a factos, para procurar perceber o que aparenta ser consequência lógica de um trabalho premeditado e executado com preciosismo. Em Sócrates residia um contraponto ao que se queria esquecer de um ciclo sem herdeiros para uma herança indesejável.
Era ele que estava numa linha de produção em que se fabricam protagonismos e se afirmam modismos – num confronto que viria a ter peso na disputa eleitoral. A circunstância seduziu elites que queriam expurgar uma “moeda” que alimentava sentimentos de repulsa, facto que envolveu e entusiasmou o candidato. Mas Sócrates era apenas um, e não o primeiro, numa linha de sucessão que foi sendo distorcida por acontecimentos tão imponderáveis quanto determinantes para o desenho da história. António Vitorino não foi porque não quis, Jorge Coelho preferiu permanecer na antecâmara da decisão - factos decisivos para a afirmação do contraponto ao anterior ciclo. Sócrates surgia decidido, determinado e inflexível, adjectivos que sossegavam as elites e surpreendiam o povo. Passaram três anos. O que está deixou de encantar o povo e inquieta as elites. Já ninguém se sobressalta com o peso da rua: as mudanças na saúde aguardam melhoras, a avaliação dos professores parece ter os dias contados. E já se fazem apostas sem receio de errar: as SCTU vão continuar sem portagens, a carga fiscal vai diminuir em ano de eleições. Como Vitorino e Coelho vão sugerindo. Afinal, eles também são responsáveis.