segunda-feira, março 24, 2008

Balanços!


Mimetizando uma iniciativa recente do PS, o líder dos social-democratas algarvios elaborou um documento onde escalpeliza a actuação do Governo relativamente ao Algarve e atribuiu-lhe nota zero...

O
Barlavento fez um resumo das lamúrias de Mendes Bota. Tal como Miguel Freitas, este por excesso de positivismo, o veterano deputado algarvio corre o risco de perder credibilidade ao apostar numa análise totalmente negativa. Os cidadãos percebem que nem tudo está bem, mas também são capazes de discernir alguns sinais positivos na sociedade algarvia...

Meus senhores, nem tanto ao mar, nem tanto à terra!

1 comentário:

Rui Fernandes disse...

Os três anos de Governo PS e as mudanças de cor

por Rui Fernandes*

É hoje uma evidência que os três anos de Governo PS aumentaram a exclusão e a pobreza, tornaram o país mais desigual. É rara a semana em que não encerrem empresas, nomeadamente de pequena e média dimensão.

A ofensiva contra os direitos dos trabalhadores nas suas diversas esferas é um dado indiscutível e iniludível. Os bens de primeira necessidade, em milhares de casos a base da alimentação, galopam no seu custo. Enquanto isto, os lucros do capital financeiro têm obscenamente subido.

Não é verdade que os sacrifícios pedidos sejam uma inevitabilidade. Mas é verdade que o Governo PS não só recusou uma política que fizesse recair sobre os que mais têm o contributo para a melhoria da situação, como, ao contrário, optou pelo benefício a esses poucos, descarregando sobre os que menos têm o custo da crise.

Os ataques à escola pública, o achincalhamento dos professores, a musculação do regime escolar, golpeando a gestão democrática das escolas, a municipalização do ensino básico, com tudo o que isso significa de alteração de vínculos, de perda de visão global do ensino e da dotação dos meios, a subversão do ensino superior público, são hoje dados incontornáveis.

Dados que devem fazer convergir professores, alunos, pais e trabalhadores não docentes, numa mesma linha de repulsa pela política em curso.

Nestes três anos, assiste-se a dinâmicas de ataque ao Ministério Público, de desvalorização da Polícia Judiciária, de reconfiguração das forças de segurança, que se vêem transformadas cada vez mais em forças da ordem.

Mas a acção de três anos de Governo PS incide também sobre a democracia política. Os casos, que começaram por ser episódicos, de visitas da polícia, parecem transformar-se numa preocupante regra e temos, entre tantos outros exemplos, a nova lei eleitoral para as autarquias, cozinhada com o PSD, para garantir o poder absoluto.

O PS fez o balanço dos três anos e só viu coisas boas. O PS diz ver os sinais da rua, mas não repara no seu conteúdo. Enquanto isto, o PSD procede a remodelação cromática. Queria referendo ao Tratado Europeu, mas depois já não quis.

Assinou o pacto da justiça com o PS que tantos problemas suscitou e suscita, mas depois vendeu para a opinião pública a ideia da ruptura, quando na verdade só rompeu com o mapa judiciário.

Assinou com o PS a nova lei eleitoral para as autarquias e num dia, veio Menezes dizer que rompia e no dia seguinte, veio Santana dizer que não rompe nada.

Agora, veio Menezes defender a descida impostos, enquanto Manuela Ferreira Leite defendeu a irresponsabilidade de tal proposta e, no exacto momento em que várias campainhas soam quanto ao impacto da crise do mercado imobiliário (na verdade, é a crise da troca dos baixos salários por crédito fácil) na Europa e em Portugal, com o Banco de Portugal a rever em baixa as previsões de crescimento da economia.

O PSD na Assembleia da República defende o fim das SCUT e Mendes Bota faz o discurso regional contra as SCUT. Macário Correia diz que o PSD anda em ziguezague, António Capucho diz que Menezes tem os dias contados. Numa segunda-feira Menezes diz que o PSD não merecia estar no Governo e na sexta-feira seguinte diz que já merece.

Como o PCP tem dito e redito, o problema de Portugal não são pessoas, mas as políticas. O problema de Portugal é 30 anos de alternância sem alternativa.

A alternativa existe e essa é possível com uma ruptura democrática e de esquerda para a política nacional, rompendo o preconceito e reforçando o PCP.

*Responsável da DORAL do PCP