quarta-feira, janeiro 09, 2008

Oportunidade perdida?!


O Presidente da República pressionou, a Comissão Política Nacional do Partido Socialista deliberou e o Secretário-Geral, nas funções de Primeiro-Ministro do Governo de Portugal, anunciou aos deputados e ao País...

Legitimamente, optou-se pela via da ratificação parlamentar do
Tratado Reformador da União Europeia (também conhecido por Tratado de Lisboa). Em ocasião anterior, já defendi aqui a realização do referendo sobre esta matéria, indendentemente das diferenças serem muitas ou poucas em relação ao projecto de Tratado Constitucional, que o PS se comprometeu a referendar no seu programa eleitoral.

Num país livre, há opiniões divergentes da corrente maioritária. Mesmo dentro da maioria parlamentar.
António José Seguro, Manuel Alegre ou a Juventude Socialista foram as vozes mais audíveis. No seu estilo habitual, o Bloco de Esquerda vai propôr uma moção de censura ao Governo...

Para além de defender o referendo, apesar de saber que os partidos da oposição aproveitariam a oportunidade para atacar o Governo e apontar os canhões aos temas da política interna, também sustentei a promoção de uma campanha de esclarecimento junto dos cidadãos e das instituições da sociedade civil.

Responsavelmente, seria esta a minha opção para acabar com as dúvidas de vez, obrigando os políticos a defender as suas posições junto dos potenciais interessados e da população em geral. E, não obstante estas duas décadas que já passaram, para dar finalmente uma oportunidade aos portugueses de se manifestarem sobre a nossa participação no projecto europeu!

1 comentário:

Pedro Correia disse...

O homem que não honra os compromissos

Ao rasgar a promessa eleitoral sobre o referendo europeu, consagrada no programa do Governo e reiterada no discurso de posse, José Sócrates mancha de forma irreversível o seu prestígio. Lembremos: ele surgiu na liderança partidária, em 2004, prometendo ser diferente. Era sério, rigoroso, credível. Esta tornou-se a sua imagem de marca, que meses depois vingou nas urnas. Ninguém o obrigou a prometer o referendo. Mas, quando o fez, assinou um pacto de seriedade com os eleitores portugueses. Ao violar este pacto, compromete a sua credibilidade de uma forma que nem ele hoje consegue imaginar. E não adianta dizer que fez isto para ajudar o amigo Gordon Brown, em risco de ser engolido por uma vaga eurocéptica no Reino Unido. O pacto dele não era com os camaradas de Londres, nem com os amigos de Bruxelas: era com os portugueses. Que depois disto nunca mais o verão com os mesmos olhos.

Sócrates será, a partir de agora, encarado como um homem que não honra os compromissos. Quantas carreiras brilhantes na política têm acabado por menos que isto?