quinta-feira, janeiro 10, 2008

Em Alcochete!!!


Analisadas as vantagens e os inconvenientes, José Sócrates anunciou a decisão preliminar do Governo de construir o Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete com base no estudo técnico comparativo elaborado pelo LNEC...

Curiosamente, a página da empresa responsável pelo
Novo Aeroporto de Lisboa encontra-se "EM ACTUALIZAÇÃO", tendo-se perdido o acesso a toda a documentação que sustentava a opção pela OTA. Menos dinâmica, a RAVE ainda mantém disponíveis os dados e projectos da estação da OTA, integrada na linha de alta velocidade Lisboa-Porto. Enfim...

Não sei se vai cair o Carmo e a Trindade, mas esta opção ainda vai fazer correr muita tinta, nomeadamente sobre a questão dos custos das ligações rodoferroviárias necessárias, a imagem dos decisores públicos, os impactes ambientais ou os prejuízos causados aos Municípios da margem norte do Tejo. Sei que há muita gente a esfregar as mãos de contente, mas o mais certo é esses ficarem caladinhos!!!

2 comentários:

OBSERVADOR disse...

Porque o LNEC escolhe Alcochete

in SIC.pt, 2007.08.10

Localização mais favorável dos pontos de vista técnicos e financeirosO estudo encomendado pelo Governo ao Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) concluiu que a localização do novo aeroporto de Lisboa em Alcochete é do ponto de vista técnico e financeiro "globalmente mais favorável" do que a Ota.

Este é a principal conclusão do estudo do LNEC sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa, que consta da síntese executiva do documento.

Na síntese, o LNEC refere que a conclusão assenta essencialmente no facto de Alcochete ganhar à Ota em "quatro dos sete factores críticos de decisão":
- "Segurança, eficiência e capacidade das operações do tráfego aéreo"
- "Sustentabilidade dos recursos naturais e riscos"
- "Compatibilidade e desenvolvimento económico e social"
- "Avaliação financeira"

A Ota vence nos restantes três pontos:
- "Conservação da natureza e biodiversidade"
- "Sistemas de transportes terrestres e acessibilidades"
- "Ordenamento do território".

No entanto, de acordo com o estudo do LNEC, "o sentido favorável à zona da Ota para esses factores críticos é atenuado" caso sejam "seguidas directrizes propostas para o caso da localização recair na zona do Campo de Tiro de Alcochete".

"Contrariamente à localização na zona da Ota, a localização do novo aeroporto de Lisboa na zona do Campo de Tiro de Alcochete é uma hipótese muito recente, para a qual não se verificou um grau de desenvolvimento de estudos comparável, visando, nomeadamente, a optimização de soluções de implantação e a redução de impactes negativos", salienta o LNEC.

Ainda neste sentido, o LNEC adianta que a localização em Alcochete não foi contemplada em planos e projectos, por exemplo, de acessibilidades e ordenamento do território, donde é ainda expectável a possibilidade de obtenção de benefícios, em termos comparativos, para esta localização.

No capítulo da segurança, o LNEC concluiu ser "possível, em qualquer das duas localizações analisadas, garantir padrões de segurança operacional adequados", mas quanto à "eficiência e capacidade das operações do tráfego aéreo" os elementos disponíveis indicam Alcochete como "mais favorável".


Vantagens financeiras

"Do ponto de vista estritamente financeiro", o estudo do LNEC concluiu que "existe uma vantagem da alternativa da localização na zona do Campo de Tiro de Alcochete face à zona da Ota".

Essa vantagem é expressa "numa menor exigência de investimento total”:
- Ota: 5.191,2 milhões de euros;
- Campo de Tiro de Alcochete: 4.926,6 milhões de euros
(preços de 2007)

e "na existência de um valor actualizado líquido (VAL) diferencial positivo":
- VAL Ota: 1.655,28 milhões de euros
- VAL Alcochete: 1.986,4 milhões de euros
- VAL diferencial entre Ota e Alcochete: -331,1 milhões de euros".


Nova travessia rodo-ferroviária sobre o Tejo

O estudo do LNEC recomenda ao Governo que a opção por Alcochete seja acompanhada pela construção de uma ponte rodo-ferroviária entre Chelas e o Barreiro.

Ao optar por Alcochete, o Governo deverá "procurar que a implantação se verifique o mais a sudoeste possível para maior sustentabilidade do sistema de transportes (efeitos ambientais, económicos e de consumo de energia)" e "assegurar que a terceira travessia do Tejo Chelas-Barreiro seja rodo-ferroviária".

O Governo deve ainda "monitorizar o funcionamento dos sucessivos acessos do lado Norte à Ponte Vasco da Gama, ao longo da CRIL, até ao Eixo Norte/Sul e à A8, que poderão ter de ser alvo de intervenções de forma a evitar situações de ruptura grave".


Termos ambientais

Em termos ambientais, o LNEC entende que se deve
- "Instalar no local um sistema automático adequado para observações atmosféricas"
- "Monitorizar localmente os movimentos de aves", elaborar planos para "proteger a qualidade das águas subterrâneas"
- "Seleccionar uma orientação das pistas que minimize as interferências com os movimentos de aves" (reduzindo os riscos de colisão), criar áreas alternativas de alimentação de aves aquáticas".

Ainda neste capítulo, o estudo do LNEC recomenda a "salvaguarda de valores ambientais únicos, criando uma vasta área de reserva integral, com múltiplas valências, com enquadramento legal e plano de ordenamento e de gestão adequados".

Essa reserva - acrescenta o LNEC - deve abranger "os espaços dedicados à conservação da natureza e biodiversidade, o montado, o aquífero do Baixo Tejo/Península de Setúbal e os solos agrícolas de maior valor produtivo".

O LNEC defende ainda que se deve "estudar a oportunidade de uma revisão administrativa ao nível de freguesia/concelho" na zona do Campo de Tiro de Alcochete.

Com Lusa

JG. disse...

Novo Aeroporto: Alcochete terá vantagens para o Turismo no Algarve, defendem hoteleiros algarvios

A principal associação hoteleira do Algarve manifestou-se hoje satisfeita com a decisão do Governo em apontar Alcochete como local do novo aeroporto de Lisboa, por considerar que o turismo algarvio pode tirar vantagens dessa localização.

"Congratulamo-nos com a decisão do Governo e lembramos que já desde 1999 defendemos a opção da margem sul, na altura Rio Frio, por razões técnicas mas também turísticas", disse à Lusa o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Elidérico Viegas.

Invocando que a maior parte do tráfego aéreo mundial é turístico, o dirigente empresarial recordou que a maior parte do sector se encontra localizado na margem sul e não na margem norte do Tejo.

"Na zona da Ota, o único local com interesse turístico é Fátima, que mesmo assim um interesse infimamente mais pequeno do que o Algarve", enunciou.

Também do ponto de vista da distância entre a cidade e o aeroporto, Alcochete é preferível à Ota, disse, já que os 80 quilómetros de distância poderiam desmotivar uma parte dos turistas que tem Portugal - e também o Algarve - como destino.

Sobre a incidência da nova infra-estrutura na região, sustentou que, nos dias de hoje, os aeroportos têm uma área de influência de 200 a 250 quilómetros.

Por outro lado, defendeu, longe de ser concorrencial relativamente ao aeroporto de Faro, nova estrutura será complementar, uma vez que facilitará as ligações da região com outros continentes.

"O problema do aeroporto de Faro são os voos intercontinentais, porque Faro tem uma pista onde os maiores aviões podem aterrar mas não podem descolar", explicou.

Refutou que o novo aeroporto de Lisboa possa retirar importância ao de Faro, "que tem um papel insubstituível como aeroporto regional".

"Os únicos voos que poderão ficar a perder são os que se fazem entre Faro e Lisboa, dada a curta distância a que ficam, mas já hoje é um absurdo viajar de avião entre as duas cidades, a não ser para apanhar voos de ligação", disse.

A estrutura a construir na margem sul facilitará também a ligação ferroviária por alta velocidade com Espanha, através de Badajoz, recordou.

"A Ota era um aeroporto encafuado, que teria custos elevadíssimos, sobretudo em infra-estruturas, e nem sequer poderia crescer", concluiu o líder da AHETA.

11 de Janeiro de 2008 | 21:41
lusa