sábado, abril 19, 2008

E depois dos passarinhos...


Completam-se hoje dez anos sobre a vitória de Marcelo Rebelo de Sousa, com maioria absoluta, no congresso do PSD de Tavira...

Depois de tantas voltas que o mundo deu, quem diria que voltaria a ser um dos nomes mais desejados para estancar a crise do PSD. Parece que a democracia portuguesa não se dá bem com maiorias absolutas, quem está no poder instala-se e esquece-se dos compromissos, quem está fora agoniza e arrasta-se na oposição. Foi assim no longo consulado de Cavaco Silva, assim continua a ser nos dias que correm, apesar de Sócrates só ter ainda três de Governo...

Com a sua legitimidade colocada em causa, apesar da vitória estrondosa nas directas, não restava a Luís Filipe Menezes outra alternativa senão a demissão inglória. Como já disse, o presidente demissionário do PSD estava mal acompanhado e não era apenas por Santana Lopes, que vai fazendo pela vida na liderança do grupo parlamentar. O rompimento dos acordos no pacto de justiça e na revisão da lei eleitoral das autarquias locais e a intervenção de Rui Gomes da Silva sobre Fernanda Câncio foram fatais.

Apesar do aparato mediático, não foram Pacheco Pereira ou Aguiar Branco que ditaram o destino do pediatra de Gaia. Há no PSD uma galeria de notáveis que poderiam concorrer à sua liderança e prestar esse serviço ao País. Portugal precisa de uma oposição forte e credível, que desafie permanentemente quem governa a trabalhar mais e melhor, que coloque os problemas reais dos portugueses na agenda política e apresente soluções de futuro que possam resolvê-los!

Estou certo que depois dos passarinhos que por aí pululam em busca de protagonismo fácil, seja possível que alguém diga PRESENTE. Com este
andamento, até pode ser que... Cristo desça à Terra!

8 comentários:

Anónimo disse...

Social democratas algarvios apelam à recandidatura de Luís Filipe Menezes

JSD/Algarve aprova Moção de apoio à candidatura do líder demissionário

A Comissão Política Distrital do PSD/Algarve aprovou no sábado (19 de Abril), com 23 votos a favor e uma abstenção, um apelo à recandidatura de Luis Filipe Meneses à presidência do PSD.

Refere a estrutura do PSD do Algarve que o projecto aprovado pelos militantes em 27 de Setembro de 2008 “está válido e actual, e tem de ser cumprido e implementado”, devendo ser assumido pelo seu autor, Luis Filipe Menezes.

Acerca das personalidades do partido que “nos últimos seis meses se têm notabilizado em exprimir as suas diferenças opinativas”, consideram os social democratas algarvios “têm a obrigação de protagonizarem candidaturas alternativas à liderança”, mas têm de “sujeitar-se ao veredicto democrático dos militantes do PSD”.

JSD do Algarve também está com Menezes

Por sua vez, o Conselho Distrital da JSD/Algarve aprovou uma Moção que teve como primeiros subscritores os presidentes da JSD/Lagos, JSD/Faro e JSD/Tavira, respectivamente, Filipe Brazão de Almeida, Bruno Lage e Sofia Minhalma, em que manifestam o seu apoio à recandidatura de Luís Filipe Menezes à liderança do PSD.

Dizem os JSD’s que o PSD no qual acreditam, “é dos militantes, dos trabalhadores, dos que fazem política pela procura de um bem comum e de uma solução para os problemas do seu Município, Distrito ou País”. Mais adiante referem que este PSD tem um rosto de liderança, um coração de lutador e “um nome que devemos respeitar: Luís Filipe Menezes”. E porque esse é o nome em que acreditam, “o nome que pode alimentar a esperança dos Portugueses por um país mais desenvolvido e justo”, o Conselho Distrital da JSD/Algarve reunido em Portimão a 18 de Abril de 2008, “apela para que o Dr. Luís Filipe Menezes se recandidate à liderança do Partido Social Democrata”.

Porto iniciou apelos à recandidatura

De referir que o PSD/Algarve é a segunda estrutura distrital a apelar à recandidatura de Menezes à presidência do partido, depois do PSD/Porto ter reiterado por unanimidade o seu apoio ao líder demissionário.

JMM / RS
14:54 domingo, 20 abril 2008

Anónimo disse...

Presidente da Assembleia Municipal de Loulé candidata-se a líder nacional do PSD

"Sou candidato, a minha candidatura vai até ao fim e é irreversível"

O cidadão louletano, deputado à Assembleia da República e presidente da Assembleia Municipal de Loulé, Mário Patinha Antão, anunciou hoje na SIC - Notícias que vai apresentar a sua candidatura à presidência do Partido Social Democrata (PSD), afirmando: "Sou candidato, a minha candidatura vai até ao fim e é irreversível", sublinhou numa entrevista àquela estação de televisão.

De salientar que alguns nomes estão a ser avançados como prováveis candidatos, sendo Mário Patinha Antão o terceiro, depois de Pedro Passos Coelho e do empresário António Neto da Silva também já terem anunciado estarem na corrida. Também o deputado e ex-ministro José Pedro Aguiar Branco anunciou que está a trabalhar uma candidatura mas ainda não a anunciou.

Patinha Antão disse entretanto que a sua candidatura se deve "fundamentalmente a duas razões" - uma "é pela negativa".

"Eu fui apoiante dedicado, empenhado e leal de Luís Filipe Menezes até agora. Mas não posso concordar com a decisão que ele tomou de se demitir e de, como tudo indica e espero que o faça, voltar a recandidatar-se", frisou.

Na opinião de Patinha Antão. os líderes "devem viver com a oposição interna e não devem, de facto, sujeitar o partido social-democrata a umas novas eleições e a todo um processo demorado para relegitimar esta equipa".

Assim, "não posso concordar com ele e não estou de acordo com esta estrutura", acrescentou. Segundo Mário Patinha Antão, nessa liderança, o PSD tem estado "virado demasiado para dentro e pouco para fora"

Disse ainda Mário Patinha Antão, que pode "contribuir, pela minha experiência e com a forma como me coloco, para ajudar o partido a abrir-se ao exterior", afirmou.

Redorde-se que Mário Patinha Antão, é natural de Loulé, tem 62 anos de idade, é deputado do PSD eleito pelo círculo de Braga, é vice-presidente da bancada social-democrata, foi secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde no Governo PSD/CDS-PP, de Pedro Santana Lopes, e é o actual Presidente da Assembleia Municipal de Loulé.

JMM / RS
21:45 domingo, 20 abril 2008

Anónimo disse...

PSD: Bota e Macário falam sobre demissão de Menezes

Macário diz que liderança de Menezes era uma loucura diária. Bota fala no terrorismo político interno.

Região Sul - Estava à espera que esta demissão sucedesse?

Macário Correia - Estava à espera, mas pensava que ainda seria daqui a umas semanas.

RS - Na sua opinião os motivos invocados fazem sentido?

MC - Os motivos invocados não fazem qualquer sentido. Na verdade, o que se passa é que a liderança do Dr. Luís Filipe Menezes não conseguiu dar qualquer dignidade ao partido. Era uma loucura diária sem nexo. Ainda estava a ser pior do que eu esperava. No entanto, tenha-se presente que ele está a fazer um golpe de teatro e vão continuar sem serenidade a armar confusão.

RS - Esta demissão compromete ou facilita as intenções do partido para as eleições que se avizinham?

MC - A demissão tem, todavia a virtude de potenciar a organização de eleições que podem dar outro rumo ao PSD, o que ajudará a outra disputa das eleições de 2009. Com as fraquezas deste Governo e com um PSD forte Portugal poderá ter outro rumo.

Região Sul - Estava à espera que esta demissão sucedesse?

Mendes Bota - Foi totalmente inesperada. Estava em Estrasburgo, a terminar uma palestra na secção local do PSD, quando recebi a notícia.

RS - Concorda com a decisão do líder?

MB - Tratou-se de uma decisão pessoal do presidente do PSD que não quero comentar. Faz parte daquele círculo de solidão que rodeia os líderes nestes momentos de decisões difíceis.

RS - Na sua opinião os motivos invocados fazem sentido?

MB - A situação de terrorismo político interno no PSD, desencadeada no minuto seguinte à eleição de um líder por sufrágio directo no universo dos militantes do PSD, foi altamente lesiva para o Partido junto da opinião pública. Impõe-se uma clarificação, e a acontecer, foi preferível desencadeá-la já, do que próximo das eleições de 2009. Pessoalmente, teria optado por outro caminho, que tinha começado a ser implementado na semana anterior, com o Roteiro “Mudar Portugal”, cuja primeira Jornada no distrito de Bragança foi um êxito total de mobilização dos militantes do PSD e de contacto com a sociedade portuguesa. Assim se percorreria o país, até ao final de 2008, numa demonstração de capacidade de mobilização, de ouvir o povo português e de apresentação de propostas concretas para o futuro governo de Portugal. Seria um método mais lento de afirmação do PSD. Havia esta alternativa de provocar um choque político imediato. Na sua avaliação, Luís Filipe Menezes preferiu o método imediato. Está no seu direito. Respeito a sua decisão.

RS - Acha que o líder deveria voltar a candidatar-se?

MB - A Comissão Política Distrital Alargada do PSD/Algarve já respondeu a essa questão, ao aprovar, com uma única abstenção, um apelo à recandidatura de Luís Filipe Menezes, para prosseguir a concretização de uma estratégia e um programa que mereceu a nossa aprovação, e continua válido. Agora, compete-lhe decidir se avança ou não.

RS - Esta demissão compromete ou facilita as intenções do partido para as eleições que se avizinham?

MB - É prematuro tirar conclusões.

João Vargues, in REGIÃO SUL
10:40 segunda-feira, 21 abril 2008

Albuquerque de Lima disse...

"Uma loucura diária sem nexo..."

É por estas e por outras que certas pessoas nunca conseguem liderar projectos e manter equipas coesas em seu redor. Que dizer aos dez vereadores eleitos pelo "PSD-Macário" e que foram deixando deixando a câmara municipal de Tavira ao longo dos últimos dez anos?!
Perguntem-lhe o significado desta frase e talvez tenham umas surpresas. É melhor comprarem uns espelhos!

José Mateus Cavaco Silva disse...

UM PSD TENDENCIALMENTE RESIDUAL E REGIONALIZADO?

por José Mateus Cavaco Silva

Olhe-se para os candidatos que se alinham para a candidatura à liderança do PSD e veja-se como a maioria dos nomes mais sonantes são oriundos do Porto e… políticos de segunda linha (além de Cadilhe, que foi ministro de Cavaco mas saiu sem honra nem glória, nenhum foi além de secretário de Estado ou presidente da Câmara apesar de serem já cinquentões).

De Lisboa não há candidatos. Manuela Ferreira Leite parece não estar convencida a ser a “dama de ferro” do PSD e Marcelo Rebelo de Sousa mesmo se adoraria voltar não é hoje, para o PSD, senão um professor de direito que faz comentários na televisão. Passos Coelho é ainda um “jota” de Coimbra que foi presidente da JSD.

Cotado com 26% das intenções de voto, o PSD, em termos de quadros dirigentes, não parece ter hoje massa crítica a sul e aparece com uma distribuição orgânica muito assimétrica e desequilibrada para norte de Leiria. E a demissão de Luís Filipe Menezes pode ter como consequência colateral o fim político do “último barão de Lisboa”, Ângelo Correia (que começou da pior maneira, no Verão passado, uma carreira de king’s maker… enganando-se redondamente na escolha do “rei”). Não deixaria de ser imensamente irónico que o inoxidável Ângelo fosse liquidado por este “fogo amigo” do instável Menezes.

Mas a grande questão que desta perspectiva se levanta é a seguinte: será hoje o PSD uma formação política residual, concentrando a massa crítica restante dos seus dirigentes no Porto…? Não me parece haver ainda uma resposta clara e definitiva para a pergunta, mas nas próximas semanas ver-se-á se o PSD escapa ou não a esta tendência para a residualização e regionalização… Mas se ela se acentuar, abre-se o campo a uma marcante recomposição da paisagem política portuguesa.


in CLARO.MOTIME.COM at April 19, 2008 22:22

OBSERVADOR disse...

Ressentimento ou superação

Mário Patinha Antão *, in Jornal de Notícias

O eng.º Macário Correia, militante do PSD e presidente da Câmara de Tavira, publicou no passado dia 24 no JN um artigo intitulado "Uma questão de liderança".

Nele afirma que Portugal poderia ter gerado melhores soluções do que os actuais líderes do PS e do PSD para disputarem as eleições legislativas de 2009.

No que respeita ao PSD, a afirmação não é acompanhada de qualquer fundamento.

Mas tem o cheiro e a cor do ressentimento.

O eng.º Macário Correia - mandatário nacional do candidato derrotado - porventura ainda não percebeu por que o dr. Luís Filipe Menezes ganhou com naturalidade e facilidade a presidência do PSD, nas eleições directas realizadas há cinco meses.

Quem perde, numa disputa eleitoral interna, deve perder com fair play, encerrar o passado e oferecer colaboração leal.

Churchill explicava um dia a um colega deputado novato, sentado a seu lado, na Câmara dos Comuns, que os trabalhistas se sentavam na bancada em frente.

Retorquiu-lhe o jovem "Então é ali que se sentam os nossos inimigos".

Churchill corrigiu-o "Ali, sentam-se os nossos adversários, os nossos inimigos sentam-se aqui".

Os grandes líderes políticos respeitam os adversários e são magnânimos com os inimigos, oferecendo a estes uma derradeira oportunidade para os ajudarem a construir o futuro.

Mandela é o exemplo máximo desta grandeza de espírito - no dia em que foi eleito, em 1994, pediu à minoria branca que se envolvesse na construção da nova África do Sul e pediu à maioria negra que lhe garantisse segurança e confiança.

Cabe, pois, ao eng.º Macário Correia escolher entre cultivar o ressentimento e transformar-se de opositor circunstancial em inimigo militante ou superar aquele e transformar-se em colaborador disponível, nas suas esferas de competência.

Com a devida vénia se dirá que, porventura, a discussão sobre a questão da liderança não será o seu forte.

A liderança autárquica, sim - é presidente da Câmara de Tavira, desde 1998, e desfruta, por mérito, da confiança dos seus munícipes que o têm sucessivamente reeleito com amplas maiorias.

A liderança nacional é que talvez não seja o seu forte.

Muitos ainda se lembram do fogoso secretário de Estado do Ambiente do PSD que, no início dos anos 90, declarou que "beijar os lábios de uma fumadora é como lamber um cinzeiro".

Para além do repúdio masculino que a frase mereceu - por, segundo alguns, apenas demonstrar a ignorância empírica do autor - ela revelou uma visão de cidadania e modernidade tão redutora que praticamente liquidou a carreira nacional em ascensão do jovem político.

Mas seria injusto confinar ao espaço autárquico o contributo potencial do eng.º Macário Correia para a criação de propostas políticas inovadoras.

Engenheiro agrónomo e mestre em Economia Rural pode e deve dar um contributo muito relevante para a iniciativa que o grupo parlamentar do PSD está a preparar, para relançar o desenvolvimento e a qualidade de vida no Interior do país, cada vez mais abandonado e desertificado.

E, sendo também arquitecto paisagista, quiçá poderá ajudar a melhorar a paisagem de certas zonas rurais, prejudicadas por mamarrachos em que alguns políticos em tempos idos apuseram a sua assinatura.

* Vice-presidente da bancada parlamentar do PSD e presidente da Assembleia Municipal de Loulé

NOTA - Apesar de já ter uns dias, dada a conjuntura actual e apresentação da candidatura de Patinha Antão à liderança do PPD/PSD, justifica-se a divulgação deste artigo de opinião, nem que seja para avaliar próximas reacções e posicionamentos.

José Mateus Moreno disse...

O próximo será, seguramente, pior que o actual

O anúncio de Luís Filipe Menezes na passada sexta-feira, a comunicar ao País que se demitia da liderança do seu partido, alegando demasiadas contrariedades internas, da “família” social-democrata, com apenas seis meses de exercício de funções, se estivéssemos na década de 80, eu diria que teria sido uma “bomba”. Assim, acabou por ser uma noticiazinha, idêntica a muitas outras, com interesse relativo, como aquelas que nos últimos tempos até são “manchete” em serviços noticiosos de televisão às oito da noite.

E até poderia ser uma notícia de grande interesse nacional!... Mas se Menezes estivesse numa liderança política de um projecto inovador e credível para dar um rumo a Portugal quando viesse a ser governo!

Não o fez e a oposição mais activa acabou por sair de dentro do seu próprio partido. Inacreditável!...

Os políticos, por vezes, não conseguem ver os trilhos que estão a pisar e só pensam nos objectivos. Já não conseguem conquistar a simpatia dos cidadãos, porque nem sempre falam verdade e depois... bem, depois só lhes resta “arrepiar caminho”, já que, acabam por ser vencidos pelos seus próprios argumentos.

Os seis meses de liderança de Menezes mostram que não é fácil “disciplinar” o quadro político nacional, a começar na família social-democrata, e portanto, creio que hoje poucos acreditarão que o futuro do nosso País possa vir a ser risonho. Todos querem chegar ao governo mas pela forma como o fazem, o que acontece é estarem a pôr a Democracia em causa. E não digam que o “mal” (só) está nos outros, porque todos, rigorosamente todos os Portugueses, temos responsabilidade no processo.

Hoje não tenho dúvidas que os “grandes obreiros” da política, são os que se escondem atrás de ministros, de secretários de estado, de directores gerais, etc... Os “telhados de vidro” são cada vez maiores e mais frágeis, e, por isso ninguém se atreve a atirar uma pequena pedra que seja...

Não cumprem o que prometem, e por isso os políticos têm vindo a cair em desgraça e hoje já quase ninguém lhes concede credibilidade. Os elevados níveis de abstenção - cerca de metade dos recensesados ficam em casa e não votam - demonstram claramente que o interesse na eleição do político “A” ou do político “B” é algo que faz parte do passado. Repare-se, também, que as notícias políticas, analisadas em restrospectiva, acabam por ser maioritariamente “inverdades” e “desculpas” que atestam bem da facilidade como os cargos públicos são desempenhados. Além disso, quando é demonstrada uma falha, ou uma mentira, nada acontece aos seus autores. Diz-se que são “julgados” no acto eleitoral seguinte, mas isso seria também muito pouco, se funcionasse!...

Enfim, é a política que temos, hoje com uma crise no PSD, amanhã noutro partido e tudo continua em declínio, apenas com uma certeza: de que o próximo será pior que o actual. Provem o contrário!...

Salva-se, apesar de tudo, a maioria dos agentes políticos do poder local, porque esses estão diariamente em contacto directo com a população. Honra lhes seja feita.

José Mateus Moreno, in REGIÃO SUL
21:03 terça-feira, 22 abril 2008

OBSERVADOR disse...

Algarve desafia Alberto João Jardim

Loulé, 26 Abr (Lusa) - Um grupo de 58 militantes destacados do PSD/Algarve decidiu hoje por larga maioria apoiar a candidatura de Alberto João Jardim à liderança do PSD, numa votação em que Manuela Ferreira Leite obteve apenas 3 por cento de votos favoráveis.
Questionados directamente sobre uma eventual candidatura do presidente do Governo Regional da Madeira, 52 por cento dos militantes consideraram-na "a melhor" e 29 por cento "talvez", contra apenas 17 por cento de "nãos", revelou Mendes Bota à Lusa no final da reunião, destacando que "81 por cento abriu as portas a Alberto João Jardim".
Na votação secreta, uma maioria de 60 por cento concordou em fazer um apelo directo à candidatura de Jardim, 3 por cento talvez e só 17 por cento foi contra esse apelo.
Uma maioria de 41 por cento achou que a data limite para apresentação da candidatura do líder madeirense será 5 de Maio, contra 19 por cento que indicou 1 de Maio e outro tanto 10 de Maio.
Convocada pelo presidente da distrital de Faro, Mendes Bota, a reunião, de carácter informal, teve como base de convocatória a comissão que há seis meses apoiou a candidatura de Luís Filipe Menezes, bem como os órgãos distritais, as secções e vários presidentes de câmara.
Mendes Bota reconheceu que não foram convidados alguns militantes e autarcas sociais-democratas - entre os quais o presidente da Câmara de Tavira, Macário Correia, apoiante de Manuela Ferreira Leite - mas ressalvou que estiveram presentes a maioria das concelhias, entre as quais a de Faro, "que só por si tem metade dos militantes do Algarve", disse.
"Se o convidasse [Macário Correia] até podia parecer uma provocação, dadas as suas conhecidas posições", explicou Mendes Bota, explicitando que, em contrapartida, na reunião estiveram os presidentes de Câmara de Loulé, Lagoa, Albufeira e Vila do Bispo.
Questionados sobre a eventual manutenção do cenário actual de candidaturas, os militantes presentes balançaram entre Santana Lopes (40 por cento) e Pedro Passos Coelho (38 por cento), mas a antiga ministra das Finanças de Durão Barroso recolheu apenas 3 por cento de votos favoráveis.
"Uma coisa é certa, se o cenário actual se mantiver, Manuela Ferreira Leite conta com muito poucos apoios no Algarve", explicitou o líder social-democrata algarvio, que preferiu não adiantar "nesta fase" a sua posição pessoal sobre as candidaturas em confronto.
Numa última questão sobre o processo de regionalização do País, uma maioria de 71 por cento dos militantes considerou que, a manter-se o cenário actual de candidaturas, Pedro Santana Lopes seria o mais favorável àquela reforma administrativa.
Mendes Bota disse à Lusa que, em resultado da votação de hoje, telefonará segunda-feira ao líder madeirense, dando expressão à vontade dos militantes algarvios.
O líder da distrital algarvia é deputado na Assembleia da República e nos últimos meses foi vice-presidente da Comissão Política Nacional, presidida por Luís Filipe Menezes.
JMP.