quinta-feira, outubro 04, 2007

E agora, José?


(Publicado na edição de 4 de Outubro de 2007 do jornal POSTAL DO ALGARVE)

A eleição de Luís Filipe Menezes para a liderança do segundo partido português e tradicional participante no processo executivo da República veio introduzir uma instabilidade indesejável nas forças da direita.

Conotado com a linha populista, o presidente da câmara de Vila Nova de Gaia ganhou uma batalha ao núcleo instalado há muitos anos nas estruturas nacionais do seu partido, perito em manobras dignas de qualquer bom trapezista e na arte de bem agradar ao líder do momento. Contudo, esta é igualmente a vitória da conjuntura e do descontentamento, potenciada pelo desastre eleitoral das autárquicas intercalares de Lisboa e pela incapacidade de Marques Mendes em inverter os números das sondagens.

Como sublinhou Mário Soares, qualquer Governo “precisa de uma oposição forte e estruturada, porque senão pode dizer que não há alternativas e que pode fazer o que quiser”. Será que o PSD liderado por Menezes e, ao que prevê, com Santana Lopes à frente de um grupo parlamentar composto maioritariamente por ex-membros do seu Governo vai fazer essa oposição e assumir-se como alternativa em 2009?

No caso específico do Algarve, Marques Mendes já tinha conquistado a antipatia das estruturas concelhias, sendo responsabilizado pela derrota eleitoral em Faro e por outras escolhas duvidosas, e dos militantes, insistindo na aplicação de portagens na Via do Infante e contrariando os ímpetos dos mais regionalistas. Como será com Menezes?

Neste processo eleitoral, em termos regionais, Mendes Bota conseguiu uma vitória sobre Macário Correia com números curiosos, vai levar uma delegação fortíssima ao Congresso e vai tentar colocar a regionalização na agenda do PPD/PSD. Numa segunda fase, vai querer reforçar a sua liderança através da conquista das concelhias que lhe dão menos favoráveis e escolher nas suas hostes candidatos às autárquicas que garantam a maioria na associação de municípios. Será que o discurso de pacificação interna vai produzir efeitos no Algarve?

Nesta fase, ganha maior projecção o processo de escolha do candidato à liderança do executivo municipal da capital do Algarve, com eleições marcadas para o Outono de 2009.

Até lá, há dois relevantes processos de alteração legislativa em curso – a eleição dos membros das autarquias locais, para o qual o Governo já tinha obtido o acordo de Marques Mendes, e a nova legislação das associações de municípios, que o futuro ex-líder do PSD não via com bons olhos –, que urge clarificar.

Se Marques Mendes afirmara já que a escolha estava feita, agora é necessário saber o que pensam do processo o novo líder do partido, os dirigentes das estruturas regionais e concelhias e os potenciais candidatos, sendo certo que o universo está bem delimitado. E agora, José?!

1 comentário:

JG. disse...

Para que não restem dúvidas, esta crónica tem quatro destinatários principais...

José Mendes Bota - Deputado à Assembleia da República e líder do PSD-Algarve;
José Macário Correia - Presidente da Junta Metropolitana do Algarve e da Câmara Municipal de Tavira;
José Vitorino - Ex-Presidente da Câmara Municipal de Faro e vereador independente no executivo farense; e,
José Apolinário - Ex-deputado e actual presidente da Câmara Municipal de Faro.

...e dois destinatários laterais:
Luís Filipe Menezes - Líder eleito do PSD e presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia; e,
Justino Ramos - Presidente do PSD-Faro.

Esperemos que decidam bem e ajam melhor, no interesse dos farenses e do Algarve!