sábado, agosto 25, 2007

Lê-se e não se acredita...



Ontem, o Diário de Notícias dedicou toda a largura da sua primeira página a um crime de assédio sexual alegadamente praticado por Macário Correia...

Se inicialmente o autarca tavirense, vice-presidente do PSD e porta-voz da (re) candidatura de Marques Mendes à liderança do maior partido da oposição disse que não falava "sobre esse assunto", segundo o DN, os serviços da autarquia foram lestos a defender o seu edil, tentando descredibilizar a autora da queixa e a sua advogada, conforme está patente neste
texto da Agência Lusa, divulgado pelo Barlavento.

Porém, a blogosfera é fértil na análise destes episódios mediáticos, como se pode verificar nas
Cartas de Alcalar, no De Cara Ao Vento..., no Hotel das Letras, no Rouxinol de Bernardim, na Magra Carta, na Pitanga Madura, no Portugal e outras Touradas, no 31 da Armada, n'A Ovelha Perdida, n'O Blog da Nalga ou, mesmo, em Lauro António apresenta...

Entre o incrédulo e o desconfiado, quase sempre com um sorriso nos lábios, a generalidade dos analistas de ocasião relembram historietas antigas e inclinam-se para um golpe baixo na corrida à liderança do PSD. Cá por mim, acho que nem vai ficar por aqui!

PS - O Diário de Notícias deste sábado
volta à carga. Até parece uma novela!

4 comentários:

MC disse...

CÂMARA MUNICIPAL DE TAVIRA

INFORMAÇÃO

1. O Diário de Notícias de hoje, apresenta um texto desenvolvido com base essencialmente em afirmações de duas pessoas: uma cidadã autora de obras ilegais embargadas pela Câmara Municipal de Tavira e outra que, sendo funcionária desta autarquia, está considerada, por várias juntas médicas, incapaz para o serviço, há muito tempo.

Ao jornalista, a Câmara Municipal manifestou disponibilidade para a consulta de toda a documentação útil para a compreensão das matérias. Todavia, este entendeu escrever a peça acusatória sem consultar os documentos municipais.

2. As acusações proferidas contra o Presidente da Câmara Municipal são totalmente infundadas e já eram esperadas, face a ameaças movidas pela cidadã que promoveu obras ilegais e aproveitando o estado de saúde mental da outra pessoa.

3. Na verdade, em Novembro de 2005, a Câmara Municipal embargou no sítio do Malhão, uma edificação completamente ilegal, sem projecto, nem licença. Daí resultaram várias ameaças que constam da voz pública local.

4. A funcionária municipal, não reúne directamente com o Presidente da Câmara Municipal há cerca de seis anos, porque as matérias da sua responsabilidade estão em outro pelouro por competência delegada.

5. A referida jurista, apresenta há anos um quadro de instabilidade patológica, com comportamentos anormais, envolvendo em circunstâncias muito estranhas, relações com colegas, com vizinhos e com outras pessoas, de onde resultaram procedimentos graves, envolvendo até conflitos com agentes de segurança, matérias tratadas em foro judicial.

6. Porque o quadro comportamental de natureza estranha, agravado desde meados de 2005, e os seus actos e afirmações, a respeito de vários casos, eram invulgares, vários médicos, psiquiatras e neurologistas, entre os quais os Drs. José António Cruz, António Carlos e Maria Isabel Encarnação, passaram-lhe onze atestados de incapacidade, e três juntas médicas distintas, definiram-lhe também por unanimidade, um quadro de incapacidade, o qual perdura, pelo menos até final de Novembro próximo.

7. A título de exemplo, para clarificar o contexto e o nexo das afirmações da referida funcionária, junto se divulga uma carta da sua autoria, a qual comprova à evidência o seu estado de saúde.

8. Não foi, até hoje, o Presidente da Câmara Municipal, notificado de qualquer queixa contra si, a respeito dos factos referidos.

Tavira, 24 de Agosto de 2007

O Presidente da Câmara Municipal de Tavira,

José Macário Correia

OBSERVADOR disse...

As fezes das fezes da blogosfera(...)

(...) "são como o escaravelho estercorário que só tem como objectivo fazer rebolar a sua bola de m..."

(Camilo Castelo-Branco)

A máxima aplica-se:

- ao riso canalha e escarninho dos habitantes de nauseabundos universos de lixo;
- aos invejosos e invertebrados que se escondem no valente anonimato;
- aos que vivem no espesso negrume dos esgotos sem jamais terem respirado oxigénio incontaminado;
- aos eternos repudiados pela inteligência, pelo berço e pelos braços de outrém;
- aos martirizados por complexos de inferioridade, falhados eméritos e demais espécimes entomológicas.

A blogosfera tresanda de anonimato, tendo-se transformado num quase paraíso para criaturas fantásticas que de literário têm muito pouco. É uma pena, pois as máscaras que afivelam têm, afinal, bastante maior consistência que os trémulos e suados dedos que as animam. O anónimo luta desesperadamente por um nome, mas fenece-lhe a coragem, contorcem-se-lhe as vísceras e envergonha-se de si no momento derradeiro em que a assinatura é requerida. Nesta dolorosa invenção e sublimação de uma personalidade que não pode dizer o seu nome há muitas histórias por contar, muitos dramas e cicatrizes por sarar. Compreendo que alguns - poucos, bons e íntegros - não possam, por imperativo e por defeso, revelar o seu nome sem que os velhos fantasmas lusitanos da intolerância persecutória, da vil maldadezinha e da denunciazinha canalha lhes crie amargos de boca. O país vive derrancado na maledicência.
Esta será das poucas comunidades humanas que vive quase exclusivamente dessa energia autoflageladora que retira do desconforto excruciante da mediocridade força para prosseguir para nenhures. Aqui não há "oposiociones", nem guerras civis, nem noites de S. Bartolomeu nem barricadas onde se possa trucidar, cevar e decepar o inimigo olhos-nos-olhos. Aqui também não há duelos, nem uns valentes bofetões em plena rua ou um soberano e desdenhoso cuspir-na-cara. Aqui mandam-se envelopes, riscam-se cruzes nas portas, bichana-se nos cafés. Toda a energia portuguesa tem estampado o sinete da verrina, da frustraçãozinha e do prazer solitário. Ora, o anonimato acaba por ser a serpente que morde a sua própria cauda. Definem os teóricos da literatura o anonimato como "indíviduo sem renome"; aquele que não tem nome; aquele cuja pronúncia do nome verdadeiro é igual a um não-nome, a uma não-existência ou não-reconhecimento.

Publicada por Combustões em 19.8.07

Jumento disse...

Uma acusação de assédio sexual é tão difícil de provar quão difícil de refutar por parte do acusado, mas Macário Correia tentou refutar a acusação feita por uma funcionária da autarquia de Tavira da pior forma. Ao tentar lançar dúvidas sobre a saúde mental da funcionária divulgando o número de atestados médicos o que Macário fez mais não foi o mesmo do que fazem muitos dos acusados, ainda recentemente assistimos a isso no Caso Apito Dourado. Aliás, a estratégia de defesa nos crimes sexuais é quase sempre essa.

Como se isto não bastasse o presidente da autarquia usou informação confidencial para se defender e, ainda por cima, usou-a de forma distorcida. Entretanto, já alguém fez questão de fazer passar na comunicação social a insinuação que há uma relação entre a acusação e a disputa no PSD. Com esta defesa desastrosa começa a ser urgente que Macário refute a acusação de forma consistente, a sua reacção foi, no mínimo, suspeita.

António Manuel Venda disse...

Um pormenor importante para esclarecer o caso de alegado assédio sexual de Macário Correia a uma funcionária da câmara de Tavira seria saber se a senhora fuma. Cito de memória uma frase de Macário Correia, em directo na televisão, quando era secretário de Estado: «Beijar uma mulher que fuma é o mesmo que lamber um cinzeiro.» Na altura, ao ouvi-lo, lembro-me de que presumi que (para se meter com comparações) já tivesse feito as duas coisas, beijar uma mulher fumadora e lambido um cinzeiro. Ao pé de uma saída daquelas, as de Manuel Pinho ou as do outro do deserto da margem sul de quem agora nem me lembro o nome não passam de coisas, digamos assim, de principiante.