sábado, setembro 29, 2007

E tudo as directas levaram...


Quando falo de tudo, falo das certezas dos analistas políticos deste País (Marcelo incluído!), que nunca colocaram a hipótese da vitória de Luís... Filipe Menezes!

Quem ouviu ontem o Contraditório na RDP Antena 1 ainda pensou que já estivesse disponível alguma sondagem que garantisse a vitória do "pequeno tirano" de Fafe, tal o grau de certeza de todos intervenientes no resultado final...

Quem leu hoje o Sol, percebe que
Marcelo Rebelo de Sousa nunca incluíu tal possibilidade nos seus vatícinios, ao afirmar que a estratégia eleitoral de Menezes "conseguiu alargar aquilo que seria uma diferença muito mais apertada entre Marques Mendes e ele próprio". Cheira-me que amanhã vão chover acusações e responsabilizações para tal.. desgraça!

Contudo, aquilo que conta é resultado e as suas implicações nacionais e... regionais, mas sobre isso escrevemos na próxima quinta-feira, está bem?!

3 comentários:

OBSERVADOR disse...

Eleição de Menezes abre caminho para Regionalização

O presidente do PSD/Algarve, Mendes Bota, afirmou que a eleição de Luís Filipe Menezes para a liderança do partido «fica aberto o caminho para encontrar um consenso político em torno da Regionalização»

Sem precisar se esse caminho pressupõe a realização de um referendo, Mendes Bota - que apoiou o líder eleito pelo sufrágio de sexta-feira - recordou que a eleição de Menezes implica a aprovação automática da moção de estratégia que aponta o caminho da regionalização.

«Tive alguma influência nessa moção de estratégia no capítulo que respeita à regionalização», recordou.

O actual presidente dos sociais-democratas algarvios é também presidente do Movimento Cívico Regiões Sim, que defende a aplicação daquela reforma administrativa sem necessidade de novo referendo.

«Só depois do congresso de 12, 13 e 14 de Outubro, no qual a direcção será eleita, será possível delinear uma estratégia», apontou, sustentando que a partir dessa reunião magna «fica aberto o caminho» para um consenso alargado entre os principais partidos políticos.

Comentando os resultados das directas na região, o presidente do PSD no distrito de Faro congratulou-se com a existência de «um alinhamento perfeito» entre as posições que tomou e a vontade expressa pelos militantes.

Sobre a eventual permanência de «feridas abertas» com Macário Correia - que foi porta-voz da candidatura de Marques Mendes - garantiu que, por ele, «a campanha acabou dia 28 de Setembro».

No Algarve, a candidatura vencedora obteve 880 votos (68 por cento), contra 399 (29 por cento) do candidato derrotado.

Dos 16 concelhos algarvios, só nos concelhos de Tavira (onde Macário Correia é presidente de Câmara), Silves e Castro Marim Marques Mendes teve mais votos do que Luís Filipe Menezes.

Lusa/SOL, in 2007.10.01

OBSERVADOR disse...

PS não acredita que Menezes traga novidades ao discurso político do PSD

por LUSA, 29.09.2007/12h45

O porta-voz do PS, Vitalino Canas, afirmou hoje que o discurso político do PSD não sofrerá grandes alterações com o seu novo líder, Luís Filipe Menezes.

"Não nos parece que haverá grandes alterações ao discurso político do PSD", afirmou à Lusa Vitalino Canas, comentando, assim, a vitória de Luís Filipe Menezes nas eleições directas para a liderança do partido.

Segundo o mesmo dirigente socialista, os acontecimentos decorridos na campanha eleitoral para a liderança do PSD, disputada entre Menezes e Luís Marques Mendes, "reforçam a ideia que o único factor de estabilidade política no país é o PS". "O PSD é um factor de instabilidade", sustentou.

O porta-voz do PS crê que esta nova liderança do PSD "não vai trazer novidades", já que, na sua opinião, as declarações do novo líder proferidas esta madrugada "são mais do mesmo". "O PSD afirma que o país está triste e acabrunhado, que é um país sem grandes expectativas para o futuro, o que contrasta com as melhorias já realizadas, com este Governo liderado pelo PS", disse.

Para Vitalino Canas, o PSD "continua a hesitar e a ceder à tentação de contornar o PS pela esquerda", tendo um "discurso à esquerda do PS, tentando conquistar esse espaço político".

O socialista endereçou ainda felicitações a Luís Filipe Menezes "pela sua vitória interna no partido". (...)

António Vitorino disse...

DIRECTAS

por António Vitorino (jurista), in DN, 2007.1050

A eleição directa do novo líder do PSD foi um processo recambolesco. Quem conhece a vida interna dos partidos sabe bem que este tipo de episódios ocorre com alguma frequência revelando a natureza arcaica das estruturas partidárias. No caso do PSD a controvérsia sobre a definição do universo de eleitores agravou a situação, dando não só origem a recriminações mútuas como a uma conflitualidade que tendeu a colocar em segundo plano o debate político de fundo.

A escolha pela eleição directa das lideranças tem vindo paulatinamente a substituir o processo representativo indirecto dos congressos tanto à direita como à esquerda.

A eleição directa representa, sem dúvida, um reforço da legitimidade das lideranças. No pressuposto de que as escolhas dos militantes se orientam sobretudo pela preocupação de eleger aquele líder que maior impacto terá na sociedade e consequentemente em subsequentes eleições nacionais, das directas resultará, em princípio, a selecção do candidato que se mostre mais em consonância com o eleitorado real e potencial do partido.

Quando uma eleição directa interna se centra excessivamente nas tricas da vida partidária, será aquele impacto externo que tenderá a ser sacrificado ou, no mínimo, subestimado.

É ainda cedo para saber qual foi o critério que prevaleceu na eleição de Luís Filipe Menezes. Isto é, se prevaleceu o cansaço e a falta de esperança com a liderança anterior na preocupação de ganhar o País ou se, pelo contrário, o voto dos militantes foi sobretudo determinado por uma revolta contra o aparelho do partido, uma elite dirigente que se comportava com alguns tiques feudais e uma opinião publicada que quase unanimemente antecipava a vitória do líder cessante.

A resposta a esta dúvida virá agora quando a nova liderança começar a ter que prestar provas. E como sucede em todos os partidos que estão na oposição, ainda mais quando essa oposição se defronta com um partido que dispõe de uma maioria absoluta no Parlamento, a legitimação de uma escolha partidária por voto directo dos militantes carece de confirmação em função dos resultados obtidos no País. Neste aspecto o primeiro teste serão as eleições regionais dos Açores, no ano que vem e, depois, os três actos eleitorais de 2009, para o Parlamento Europeu, para as autarquias locais e para a Assembleia da República. Entrementes esta legitimação pelos resultados será aferida inevitavelmente pelos resultados das sondagens...

A vitória de Luís Filipe Menezes foi muito expressiva, quer quanto ao número de votantes quer quanto ao resultado obtido pelo vencedor. Eleições competitivas geram sempre mobilização partidária e apresentam um impacto positivo junto dos eleitores em geral, na medida em que a alternância democrática é sempre um factor de robustecimento da democracia.

À partida, as condições da nova liderança do PSD são-lhe particularmente favoráveis.

O que não significa que o vencedor não tenha que enfrentar algumas dificuldades.

Por um lado, no rescaldo de um combate interno renhido, o primeiro desafio de qualquer liderança é refazer a unidade do partido. Ora já se percebeu que entre os vencedores há os que privilegiarão o reagrupamento das hostes e aqueles que acham que chegou o momento de ajustar contas com o passado recente. Arbitrar entre os vencedores generosos e os vencedores ressentidos será o primeiro teste à nova liderança do PSD.

Por outro lado, como a campanha foi frouxa em conteúdos políticos, o novo líder tem as mãos livres para (finalmente) definir o rumo que pretende imprimir ao principal partido da oposição. A escolha que fizer terá também implicações na maneira como o governo e o partido que o apoia se posicionarão no futuro.

É aqui que as coisas se tornam de facto interessantes no plano de combate político para esta segunda metade da legislatura. É que pela primeira vez temos num partido com vocação governativa um líder populista que, ao dizer candidamente que não sabe o que é o populismo, demonstra que não só o é como... como não se importa nada em sê-lo! Isto promete!