domingo, setembro 16, 2007

Mexa-se, mexa-se...


A Semana Europeia da Mobilidade (SEM) arranca hoje em 64 concelhos de norte a sul do país, com o tema Melhores Ruas para Todos, numa iniciativa que envolve 1645 localidades de 33 países...

Em Portugal, metade dos 64 municípios que aderiram à
SEM fê-lo na qualidade de participante, o que implica a adopção de pelo menos uma medida de carácter permanente, e comprometeu-se a desenvolver actividades durante toda a semana. Outras 23 autarquias decidiram participar apenas no Dia Europeu sem Carros (acção iniciada em 1998 em França e que arrancou no nosso País em 2000!), que se realiza no próximo sábado, e as restantes são meras apoiantes.

Porém, cá pelos Algarves,
a coisa já mexe há algum tempo e acredito que não vai parar, envolvendo instituições e famílias. Na próxima quinta-feira, conto-vos mais umas histórias...

2 comentários:

Eurico Alves disse...

Mobilidade sustentada

O leitor recordar-se-á certamente do famigerado dia europeu sem carros que tanto alarido causou há uns anos até se ter transformado em cinzas das boas intenções de muitos municípios. Na génese, o dia europeu sem carros marcava o ideal de cidades mais humanizadas, em parte livres do automóvel, com espaço para as pessoas nas ruas. Por vezes plenos de ideias para um único dia, os demais 364 ficavam vazios de qualquer iniciativa. Definharam estes dias em iniciativas, em espaço livre de automóveis e há pouco não eram mais que um incómodo anual para os automobilistas que em desespero se viam obrigados a procurar alternativas de caminhos para as suas deslocações diárias, quantas vezes inexistentes. O erro, claro está, residia na insuficiência das boas intenções; era necessária uma mudança de mentalidades dos próprios autarcas para que as iniciativas e o simbolismo desse tipo de eventos se multiplicasse.

Foi o que aconteceu na maior parte dos países europeus, onde os dias se multiplicaram em semanas e estas em meses, que vêm transformando o dia-a-dia das cidades através de uma utilização racional do automóvel. Não se caiu na demagogia de proibir a circulação automóvel – reconhecida que é a sua importância na conquista de uma autonomia importante na locomoção individual de pessoas e bens – mas tornou-se mais prática, barata e funcional, a circulação urbana. Transportes urbanos baratos, rápidos, pontuais, frequentes e confortáveis, ligados entre si, com utilização combinada através de passes intermodais e horários compatíveis, vêm tornando o uso do automóvel numa absurda realidade quotidiana.

Tudo isto ligado ao conceito de mobilidade, democratização do transporte, desenvolvimento sustentado (também) da cidade, vem permitindo que os velhos centros históricos renascessem das cinzas, as camadas mais jovens da população ocupem os espaços habitacionais e comerciais em declínio, uma vez que dispensam o uso do automóvel e, em consequência, a necessidade de uma garagem ou de um lugar de estacionamento nem sempre fáceis de garantir em zonas mais antigas. Os utilizadores primários do automóvel vão sendo empurrados, por opção própria, para a periferia. As cidades tornam-se mais silenciosas, menos fumarentas e o sucesso das primeiras iniciativas rapidamente se multiplicou em novas iniciativas. Ressurgiu o comboio, o eléctrico e o metro de superfície, a bicicleta e o passeio a pé no centro da cidade.

Olhar para Portugal e, em particular, para o Algarve, deixa-nos combalidos. A Ecovia está em construção há mais de seis anos e ainda não será terminada este ano; nenhum município do Algarve ou empresa de transportes aderiu, com uma iniciativa decente, à semana europeia da mobilidade que se comemorará de 16 a 22 de Setembro; nenhuma cidade algarvia tem, em curso, ou em estudo, a implementação de um sistema integrado de transporte de pessoas que contemple o uso intermodal do comboio, do autocarro e da bicicleta (honra seja feita à CP que, nos seus comboios regionais permite o transporte gratuito de bicicletas a todos aqueles que tenham bíceps fortes para as elevar até à plataforma do vagão); nenhuma associação de comerciantes, que são aquelas a quem tudo isto mais poderá interessar tem uma proposta que seja neste sentido. A finalizar, porventura o elemento mais grave, nenhuma autarquia tem um responsável pelo pelouro da mobilidade, nem este foi alguma vez criado em nenhum organigrama local. A própria AMAL, a líder natural do processo, é um espelho deste preocupante vazio de ideias que necessariamente tem de ser invertido.

in REGIÃO-SUL, terça-feira, 11.setembro.2007

OBSERVADOR disse...

Seis cidades algarvias participam no Dia Europeu sem Carros

in barlavento, 2007.09.15

Seis cidades algarvias vão aderir oficialmente ao Dia Europeu sem Carros de 2007, que se assinala a 22 de Setembro. Faro, Lagos, Quarteira, Silves, Tavira e Vila Real de Santo António são as localidades aderentes.

Faro e Vila Real vão também participar na iniciativa Semana Europeia da Mobilidade, que começa já no domingo. (...)