terça-feira, julho 10, 2007

O Empresário na... República!


“O Empresário”, uma ópera de Mozart, numa versão em língua portuguesa, será apresentada na Praça da República, em Tavira, no âmbito do Festival Cenas na Rua...

A produção desta ópera resulta de uma parceria entre a ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve e a Orquestra do Algarve. A dramaturgia e encenação são de Paulo Matos e a direcção musical está a cargo do maestro Osvaldo Ferreira.

“O Empresário” trata-se de uma obra que foge aos cânones tradicionais da ópera, incluindo uma forte componente de teatro declamado. Teve a sua estreia original em 1786, na mesma noite de uma outra obra de Salieri, “Prima la Musica Poi le Parole”. Aconteceu então, sob a forma de arte, o confronto entre dois diferenciados caminhos para a criação operática: por um lado, com Salieri, o modelo de ópera seria italiana que se expandia por quase todas as cortes da Europa (Portugal inclusive) e por outro, a revitalização da tradição do teatro cantado, desejada por alguns artistas, entre eles, Mozart.

Na produção que agora se apresenta, pela primeira vez em língua portuguesa, o libreto foi inteiramente reescrito, mantendo-se no entanto os seus debates internos originais, na perspectiva pretendida por Mozart, de proximidade e comunicação directa com os públicos a que a obra se destina.

As interpretações estão a cargo dos sopranos Liza Veiga e Lara Martins, do tenor Fernando Guimarães e dos actores e actrizes do elenco da ACTA Luís Vicente, Afonso Dias, João Jonas, Luís de A. Miranda, Elisabete Martins, Glória Fernandes e Tânia Silva.

Nesta quarta-feira, pelas 22 horas, mais uma cena imperdível!

1 comentário:

José Mendes Bota disse...

REQUERIMENTO APRESENTADO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA:

ACTA – A PRÓXIMA VÍTIMA DO CENTRALISMO CULTURAL

A ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve, poderia vir a celebrar em 2008 o seu décimo aniversário. Estrutura de teatro profissional, a ACTA impôs-se pelo mérito próprio do seu trabalho, numa região escassa em produto cultural de qualidade, sobretudo no campo das artes cénicas e de representação.

Superiormente dirigida por Luis Vicente, a ACTA tem levado o teatro às escolas e às salas de espectáculo do Algarve, e não só, em colaboração com múltiplas entidades, públicas e privadas.

Mas é reconhecida a dificuldade de sobrevivência de uma estrutura profissional teatral numa região como o Algarve, que tem uma população residente diminuta, e uma elevada população flutuante de natureza turística, na sua esmagadora maioria de origem estrangeira, logo com dificuldade em consumir este produto cultural específico.

Se as autarquias locais, e o Estado, não derem o seu suporte à ACTA, esta não conseguirá sobreviver à primeira década da sua existência.

Existem várias dificuldades actuais, e uma delas radica na absorção pelo Ministério da Cultura, do espírito centralista que caracteriza neste momento a governação do país.

Como entender que, estando prevista no Concurso de Apoio a Projectos Pontuais, a contemplação de 6 propostas culturais da Região Norte, 6 para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, e uma para a Região do Algarve, este critério de distribuição tenha retirado o Algarve da lista, tenha reduzido os projectos do Norte de 6 para 5, para aumentar os projectos de Lisboa de 6 para 8?

De facto, até na Cultura o centralismo se faz sentir de forma asfixiante!

O projecto de ópera “O Empresário”, de Mozart, levado à cena pela ACTA, com a participação da Orquestra do Algarve, que foi feito com recurso ao crédito bancário, para suportar temporariamente um custo de produção de € 90.000,00, fica assim impossibilitado de aceder ao apoio do Ministério da Cultura, e irá significar seguramente a falência da Companhia de Teatro do Algarve.

A situação é tanto mais caricata, quanto a apreciação do júri é pródiga em apreciações positivas:
-“desafio no bom sentido”
-“troca de experiências profissionais entre os agentes do teatro e os da música”
-“projecto muito interessante e ambicioso”
-“interpretação é competente”

O requerente já teve oportunidade de assistir ao espectáculo “O Empresário”, e só pode subscrever por baixo a apreciação do júri.

O resultado deste concurso leva a que, outros projectos com pontuação não ponderada inferior à obtida pelo projecto da ACTA, serão contemplados, e o da ACTA é excluído, pura e simplesmente porque o Algarve foi excluído.

Se, a isto, somarmos a recusa do apoio de € 20.000,00 para ajuda da reparação da avaria mecânica grave do autocarro da companhia, ou do apoio à representação internacional do espectáculo, então o panorama é deveras sombrio, triste e preocupante.

Nestes termos, e socorrendo-me de todas as disposições constitucionais, legais e regimentais em vigor, requeiro a V. Exa. sr. Presidente da Assembleia da República se digne obter da Sra. Ministra da Cultura resposta a esta questão muito simples:

-Vai permitir que a responsabilidade pela emissão da certidão de óbito da ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve passe a constar do balanço da sua experiência governativa?

Assembleia da República, 9 de Julho de 2007

José Mendes Bota