O Diário de Notícias anuncia a construção de uma central solar térmica para a produção de electricidade, algures nas serranias de Tavira... Representando um investimento da ordem dos 17 a 18 milhões de euros, esta central de terceira geração tem características inovadoras e deverá entrar em funcionamento em Janeiro de 2008, sendo o projecto liderado pela Enerpura, em consórcio com uma empresa australiana, a SHP - Solar Heat Power (parceira da EDP na central de Sines), e com a portuguesa Meci, uma empresa de construção civil e infra-estruturas multifacetada.
Competindo no sector das energias renováveis, a Enerpura é detida maioritariamente por Diogo Vaz Guedes, presidente da Somague (que detém indirectamente uma participação nas empresas FAGAR e TaviraVerde através da AGS), e tem na sua administração Nuno Ribeiro da Silva, representante em Portugal da eléctrica espanhola Endesa e ex-secretário de Estado da Energia, Manuel Colares Pereira, ex-investigador do Ineti (Instituto de Engenharia e Tecnologia Industrial), e João Correia de Oliveira, um dos fundadores da Ao Sol, empresa agora adquirida pela Enerpura. Venham eles...
sopro um beijo
ResponderEliminarMODAS DE VENTO
ResponderEliminarpor Helena Garrido, in Diário de Notícias, 2006.0529
As energias renováveis começam a ser olhadas como uma espécie de solução milagreira para os problemas de dependência energética de Portugal e até da Europa. Não são. Reduzir a dependência dos combustíveis fósseis exige uma política energética integrada, como aliás salientam os participantes no segundo encontro do debate sobre o futuro na energia , promovido pela TSF e pelo DN.
Num encontro recente da iniciativa da Ordem dos Economistas, Félix Ribeiro apelava a uma maior atenção dos europeus para o que os EUA estão a fazer no domínio da energia. No outro lado do Atlântico a abordagem é integrada, como se pode simplesmente ver no Departamento de Energia. As prioridades são definidas e vão desde apostas na investigação até orientações para cada um, individualmente, orientar o seu consumo no sentido da poupança de combustíveis e gás.
Conseguimos nós através de uma simples busca na Internet saber, em linguagem a todos acessível, quais são as grandes orientações políticas para o sector da energia em Portugal? Não. E na União Europeia ainda menos.
Hoje está na moda a energia eólica. Corremos o risco de encher o País de esguios moinhos de vento sem a adequada ligação à rede, repetindo erros do passado noutros domínios. Ainda nos lembramos do entusiasmo com a construção de Estações de Tratamento de Resíduos, as ETAR. Quantas estão hoje ainda sem funcionar?
O facto de a tributação associada às renováveis ou à poupança de energia ser mais gravosa do que a aplicada às outras fontes, ilustrado no caso apresentado por Carlos Pimenta no debate DN/TSF, é apenas mais um exemplo da total ausência de uma estratégia para a energia.
As autoridades públicas actuam por impulso, empurradas pela iniciativa privada, que, obviamente, não tem de ter uma visão de conjunto. Para as empresas as contas são simples: quantos anos levo a recuperar o investimento? A definição de uma política permitiria combater as rendas que sempre se conseguem ganhar num sector altamente regulamentado, com elevadas barreiras à entrada e onde os dinheiros públicos têm de estar presentes.
Uma estratégia integrada para a energia é ainda mais urgente por razões políticas. O desenvolvimento futuro de Portugal, tal como depende da educação, está hoje também nas mãos do que começarmos a fazer para reduzir efectivamente a dependência do petróleo e do gás.