sexta-feira, outubro 15, 2010

terça-feira, outubro 12, 2010

Os pontos no i's

Por ter acompanhado na íntegra a grande mobilização regional contra a colocação de portagens na Via do Infante em 2004 e rever-me no comunicado de imprensa agora divulgado pelo NERA - Associação Empresarial do Algarve, deixo-vos o texto na íntegra para reflexão colectiva...

"Afinal a Via do Infante não chega para salvar o país!

As pesadas medidas agora anunciadas pelo Governo para responder à grave situação das finanças públicas, são mais uma prova de que a introdução de portagens na Via do Infante - apresentada como um «acto de justiça» vital para a salvação do país - era apenas uma medida isolada e de eficácia reduzida. É preciso bem mais.
Demonstrado que está que a decisão de introduzir portagens na Via do Infante não está fundamentada em critérios técnicos e económicos válidos, resta-nos concluir, definitivamente, de que se tratou apenas de uma decisão meramente política.
O que é verdade é que o Governo não cumpriu os compromissos políticos que assumiu e cedeu à imposição política do PSD e dos dirigentes do PS e do PSD de outras regiões, baseada na demagogia do «ou pagam todos ou não paga ninguém». A oposição de dirigentes regionais do PS e do PSD, tendo em conta as posições oficiais dos seus partidos, é apenas política e simbólica.

O Algarve tem algumas lições a tirar deste processo.
A primeira é o facto de, mais uma vez, se ter demonstrado o fraco peso político de uma região que, com a sua importante economia, produz riqueza, gera receitas que interessam a todo o país. O poder central decide sem ouvir o Algarve. O Algarve pouco conta, mas a culpa é só nossa.
A segunda é a constatação da inexistência de um verdadeiro espírito regional e o emergir de manifestações de pequenos interesses corporativos de grupo, de cálculos partidários ou de protagonismos políticos pessoais, que pouco têm a ver com os interesses reais da região. Não basta fazer «voz grossa».
É preciso isolar a demagogia. Os empresários pensam pela sua cabeça e não se deixam instrumentalizar.

Que atitude tomar agora?
Antes de mais, é necessário reforçar a convicção de que ainda é possível travar a introdução de portagens na Via do Infante em Abril de 2011.
Devemos ter a consciência de que o contexto, o quadro político – hoje - nada tem a ver com a situação de 2004.

Deve também ficar bem claro que os empresários do Algarve, e desde logo o NERA, continuam a opor-se à introdução de portagens, não para obter privilégios para a região, mas porque consideram que são prejudiciais ao desenvolvimento da economia e ao interesse nacional. A introdução de portagens iria criar obstáculos e incómodos à mobilidade dos turistas e diminuir a competitividade do turismo perante a concorrência.

É útil recordar que, em 2004, foram o NERA e as outras associações empresariais que organizaram, mobilizaram e dirigiram importantes movimentações contra as portagens. É oportuno lembrar aos «esquecidos» que durante muitas semanas estivemos sozinhos e que alguns dos que agora se agitam, ou ninguém os viu ou apareceram no «último dia» … quando a região já estava mobilizada!

Com a convicção de que a introdução de portagens na Via do Infante não só não vai salvar as finanças do país como até vai prejudicar a economia, o NERA mantém a oposição à sua introdução.
As manobras políticas a que assistimos não nos iludem para o futuro, mas gostaríamos de alertar os colegas empresários que a actual conjuntura económica, financeira e política do país pode criar novas oportunidades para travar a introdução das portagens na Via do Infante.
Importa estar preparados e actuar com inteligência.

Vítor Neto
Presidente da Direcção do NERA
8 de Outubro de 2010
"